13 Dezembro, 2017

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Dia da Consciência Negra é destaque na Câmara

 
 
Em reconhecimento à importância da cultura negra em nosso país, a Câmara de Vereadores realizou, nesta quinta-feira (23), sessão solene alusiva ao Dia da Consciência Negra, data comemorada em todo país no dia 20 de novembro. A solenidade está prevista no Regimento Interno do Legislativo e acontece anualmente.
 
Neste ano, os homenageados foram os ativistas negros Maria Neivair Oliveira da Silva e Jader Fabrício Surceda da Silva, responsáveis, respectivamente, pelas ações de saúde e cultura da Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial (Compppir). A indicação foi feita pela Coordenadoria e aprovada de forma unânime pelos vereadores.
 
Em seu pronunciamento, a homenageada Maria Neivair agardeceu ao reconhecimento prestado à sua atuação. “Quero agradecer a Deus, aos meus pais e a todos meus ancestrais, pois é deles que trazemos essa bagagem de aprender a viver e a lutar em nossa caminhada. Quando me convidaram para ser homenageada, confesso que fiquei muito surpresa. Mas quando a gente coloca a cara nesse mundo é pra viver e acho que isso eu tenho feito. Agradeço a todos. A luta continua”. 
 
O homenageado Jader Fabrício, por sua vez, aproveitou o espaço para defender o fortalecimento do respeito e da igualdade entre as pessoas. “Somos todos oriundos do mesmo ventre. É lamentável quando vem à tona a antiga e infeliz prática de desumanizar indivíduos, assentada pela linha nada tênue da intolerância. Deixo aqui minha esperança que tenhamos a faculdade de perceber e interiorizar nossa individualidade, compreendendo a de nosso semelhante. Se eu pudesse fazer três pedidos, pediria que as pessoas percebessem o valor de cada indivíduo independente de raça ou crença, que a justiça e a dignidade norteassem nossas condutas e que fizéssemos o bem sem olhar a quem”.
 
Vereadores
 
Quatro vereadores representaram suas respectivas bancadas para ressaltar a data e homenagear Maria Neivair Oliveira da Silva e Jader Fabrício Surceda.  Confirma abaixo destaque dos pronunciamentos:
 
Vereador Paulão Trevisan (PDT) – “Vivemos hoje em um país polarizado politicamente, onde cada vez mais o discurso do ódio e da intolerância se sobrepõe à razão, ao debate democrático, e nesse contexto direitos que se consagraram através de lutas históricas estão esvaindo-se. Fico estarrecido quando vejo pessoas afirmando categoricamente que o racismo e o preconceito não devem ser debatidos, que o próprio debate e formulação de políticas públicas voltadas a igualdade racial são estimuladores da segregação. Ora, essas pessoas não vivem no mesmo país que eu. No meu país de cada 100 pessoas assassinadas 71 são negras. No meu país, diariamente são registradas inúmeras denúncias de racismo e injúria racial. No meu país, negros e pardos enfrentam mais dificuldades no mercado de trabalho, na progressão da carreira, na igualdade salarial e são mais vulneráveis ao assédio moral. No meu país, ainda, os negros têm baixa representatividade no cinema e na literatura”.
 
Vereador Igor Noronha (PMDB) –“Exaltar o 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra ressalta a força de luta e resistência ao longo da história, muito diferente do 13 de maio, data da abolição da escravatura em 1988, que coloca o negro como objeto da história, como sujeito passivo diante de uma suposta bondade da Princesa Isabel. Trazer o Quilombo dos Palmares como uma referência, falar em Zumbi, ao invés da Princesa Isabel, qualifica a luta, apresentando o negro como sujeito da sua própria emancipação”.
 
Vereador Dr. Carlos Alberto (PP) - “Os primeiros africanos trazidos para o Brasil como escravos chegaram aqui em 1532. Somente 300 anos depois surgiram algumas leis para defender os direitos dos negros. A abolição do tráfico negteiro, por exemplo, deu-se em 1850. A Lei do Ventre Livre, que concedeu liberdade aos filhos dos escravos, foi criada em 1871. A Lei dos Sexagenários, que deu liberdade aos escravos com mais de 60 anos é de 1885. E a conquista definitiva da liberdade dos escravos somente ocorreu em 1888, com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel. Apesar dessa conquista, a tão esperada liberdade não chegou por completo, pois muitos escravos não sabiam realizar outros tipos de trabalhos e não tinham para onde ir”.
 
Vereadora Telda Assis (PT) –“Estamos aqui para prestar uma homenagem a duas pessoas que ao longo de suas vidas lutaram, tiveram muitas conquistas, alegrias e amores. Mas não podemos esquecer que as mulheres negras são aos que mais sofrem violência e os nossos jovens negros os que mais morrem. Por isso gostaria de citar uma frase de Nelson Mandela: ‘Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar’”.
 
Presenças
 
Além dos vereadores, prestigiaram a solenidade as secretárias municipal de Educação e Meio Ambiente, Ana Margareth Vivian Machado, do Trabalho e Ação Social, Ani Frey; a coordenadora da Compppir, Vânia Pedroso; a 2ª Princesa Negra do RS, Rayane Rodrigues Alves; o Mais Belo Negro do RS, José Carlos dos Santos Neto; e representantes do Conselho Municipal de Educação, do Conselho Municipal de Cultura, da Associação de Aposentados e Pensionistas e do Rotary Club Arrozais.