20 Maio, 2018

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Crise na lavoura do arroz é discutida na Câmara de Vereadores

 
 
Políticos, lideranças sindicais, representantes de entidades e produtores participaram de audiência pública, realizada nesta terça-feira (06), na Câmara de Vereadores, sobre a crise na lavoura do arroz. O debate foi presidido pelo seu proponente, vereador Castelo (PSB), que abriu os trabalhos contextualizando a problemática.
 
“Aqui no Rio Grande do Sul atualmente, o preço pago pelo saco de 50 quilos de arroz é de 34 reais. Porém, o custo de produção é de 45 reais. Portanto, o produtor gaúcho está pagando cerca de 10 reais para produzir o grão. Para piorar o cenário, a oferta de produto do Paraguai trouxe uma concorrência desleal no setor. Até 2016, o Rio Grande do Sul exportava mais do que comprava, porém, em 2017 a situação se inverteu. Isso se deve pelo fato dos insumos usados na lavoura do país vizinho custar sete vezes menos que no Brasil e os impostos paraguaios serem menores, tornando o produto mais competitivo do que o nacional”, destacou o parlamentar.
 
Antes dos pronunciamos, a pedido do presidente da Câmara, vereador Igor Noronha (PMDB), foi feito um minuto de silêncio em memória de Alfredo Treichel. “Esse singular cidadão, que muito fez pelos arrozeiros e pela comunidade de nosso município”, recordou o vereador.
 
O primeiro a se manifestar foi o responsável pela Coordenadoria Regional da Depressão Central do Irga, Pedro Hamann, que apresentou o cenário da lavoura do arroz no município. “Cachoeira do Sul tem 210 unidades produtoras de arroz e 345 produtores do grão, com área de mais 28 mil hectares de produção. Essa área, entretanto está sendo reduzida nos últimos anos, enquanto outros grãos estão ampliando seu espaço, como é o caso da soja. Essa questão deve-se, basicamente, ao fato da comercialização do arroz não cobrir os custos de sua produção”, destacou.
 
Na sequência, o engenheiro agrônomo Gerson Santos enfatizou a dificuldade pela qual a classe passa. “Crise na lavoura do arroz já tivemos dez ou vinte, mas essa é a pior. O Brasil é o país com a maior tributação sobre os custos do mundo e um dos raros que tributa os custos de produção. Todo mundo ganha, menos o produtor. É uma cadeia injusta”.
 
O Presidente da União Central de Rizicultores, Pinto Kochemborguer, ao apresentar a Carta de Cachoeira de 2015, elaborada pelo movimento “Te Mexe, Arrozeiro” criticou a falta de ações políticas. “As pautas de hoje são as mesmas de três atrás, mas o que foi feito? Faz anos que reivindicamos a liberação de recursos, melhores condições para pagamentos de dívidas, implementação de projetos de incentivo ao consumo de arroz, estímulos para exportação, suspensão da importação do arroz do Mercosul e liberação de defensivos agrícolas, mas essas questões não avançam, deixando uma conta impagável para os arrozeiros”, criticou.
 
O presidente do Sindicato Rural de Cachoeira do Sul, Fernando Cantarelli, por sua vez, enfatizou a questão do Mercosul. “Desde 2010 há um projeto de Lei na Câmara dos Deputados que dispõe sobre a regulamentação da inspeção fitossanitária dos produtos importados. O Governo não analisa quais defensivos agrícolas o produto importado tem e, muitas vezes, ele possui exatamente aqueles que não podem ser utilizado pelos nossos produtores. Sem contar todas as demais exigências ambientais, trabalhistas e tributárias que arcam os brasileiros em contraste com os demais países, tornando o Mercosul é uma via de uma mão só, pois os produtos só entram aqui”.
 
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cachoeira do Sul e Novo Cabrais, Diego Kiefer, aproveitou o espaço para criticar o orçamento reservado às secretarias de Agricultura e Interior no município. “Além de ser recurso muito pequeno, deve contemplar melhorias em estradas, que estão muito precárias, e políticas públicas de desenvolvimento rural. O meio rural está desgastando e não tem a atenção necessária. Se hoje a preocupação é com os custos da cesta básica, daqui a alguns anos vamos ter que nos preocupar com a falta de produtos para formar a cesta básica”, disse.
 
Ao final de seu pronunciamento Kiefer solicitou a formalização das reivindicações trazidas ao longo da audiência. “Não podemos deixar essas questões levantadas morrerem aqui”, defendeu.  O presidente do Legislativo, Igor Noronha, concordou com a sugestão e garantiu: “Iremos elaborar uma carta dessa audiência e continuar mobilizados nessa luta”.
 
Presenças
 
Também participaram do encontro os vereadores Marcelinho da Empresa (PP), Paulão Trevisan (PDT), Felipe Franja (PMDB), Dr. Carlos Alberto (PP), Jorginho Fialho (PRB), Jeremias Madeira (PDT) e Valdocir Marques (PTB), o secretário de Agricultura de Restinga Seca, Cláudio Possebom, o representante da Prefeitura de Cachoeira do Sul, Diego Cruz, e produtores rurais de vários municípios.